Escrito em 26 de junho de 2025.
Estive pensando sobre algo muito comum nos dias de hoje: a imposição da pressa — e como ela se conecta, curiosamente, ao golpe do falso advogado.
Ambos operam sob a mesma lógica: impor uma vontade que não é sua, forçando decisões apressadas em nome de desígnios escusos, interesseiros ou, no mínimo, nada altruísticos. Aquele que tudo exige com urgência já está, antes de qualquer coisa, roubando algo precioso seu — a sua paz.
Não se trata aqui de um convite à negligência, tampouco ao abandono de prazos ou responsabilidades. Mas é impossível não lembrar daquela voz que ecoa no fundo de toda sala: “isso é pra ontem!” — seja por ignorância, seja por tolice. Cabe a cada um refletir.
No caso do golpe do falso advogado, o modus operandi é quase idêntico: pressa, urgência, gatilhos emocionais. Apelam para o medo de perder, para a ansiedade e, por fim, para o seu dinheiro. Rouba-se a tranquilidade, instala-se o pânico — e o ciclo se fecha com prejuízo.
Se eu pudesse deixar um conselho: tudo aquilo que envolve dinheiro, tempo ou decisões importantes, faça com reflexão. Busque conselhos — talvez em pessoas experientes, talvez em livros sagrados, como a Torá ou a Bíblia. E, para quem tem ouvidos para dentro, há também a via silenciosa da introspecção.
Talvez as chaves do castelo já estejam à sua frente. Mas não há castelo que se abra com correria.
Charlatões e alarmistas sempre chegam com urgência nas mãos. Já os que compreendem minimamente como o mundo realmente funciona, caminham com sensatez, pois sabem: as coisas acontecem quando precisam acontecer. Ignorar esse ritmo é ignorar a realidade — e ignorar a realidade é um passo seguro rumo à perdição.
João Bezerra Neto - Advogado
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