Escrito em 23 de junho de 2025.
Hoje estive elucubrando sobre uma determinada situação.
Não levem estas palavras ao pé da letra, mas saibam: ao lerem, talvez algo nelas toque uma parte sua que habita além do óbvio.
Este texto não é sobre o que parece — é sobre o que se sente.
A imagem foi criada por inteligência artificial.
Pode conter algum erro ou traço imperfeito, mas a mensagem estará clara para quem lê com o olhar da alma.
Boa leitura — e boa travessia.
🌒🌕🌘
“O Homem que Não Tinha Sombra”
“Pois tu és pó, e ao pó tornarás.”
(Gênesis 3:19 – BKJ)
Na cidade dos três céus, havia um homem de luz, chamado Elior. Caminhava entre os homens, mas nunca tropeçava. Seus olhos viam longe, e em seu coração ardia a sabedoria dos antigos.
Diziam que ele não tinha sombra, pois era 99% feito de claridade. Não mentia, não errava, não duvidava.
Mas um velho se aproximou e sussurrou:
“Se você não tem sombra, é porque nunca olhou para onde a luz não chega.”
Elior desceu do monte e chegou ao vale. Lá, um portão de raízes era guardado por uma coruja de olhos fechados. Acima dele, lia-se:
“Da’at: a sabedoria que só se cruza na escuridão.”
Ele passou. A cada passo, ouvia os ecos do que nunca disse.
Viu sua vaidade sutil, o orgulho de não errar, o prazer em ser justo demais. Eram suas Qliphoth — cascas formadas em silêncio.
Ao centro, uma árvore seca e um caixão de pedra e terra.
A coruja abriu os olhos:
“Quem deseja ser pleno deve repousar onde o pó encontra o pó. Não é punição. É integração.”
Elior deitou-se.
Nasceu de novo — agora com sombra.
E por isso mesmo, era inteiro.
🌗 Epílogo
Até o mal mais denso, um dia, terá que olhar para a luz.
Ninguém se torna pleno sem acessar também o bem.
Isso não é licença para o erro —
é um chamado sutil:
mesmo entre quedas e abismos, o retorno é possível.
Se houver vontade. Se houver verdade.
“Pois tu és pó, e ao pó tornarás.”
João Bezerra Neto - Advogado
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